In-retratos-da-alma-espiritualidades

QUERO APENAS OLHAR...QUEM ME ROUBOU A INOCÊNCIA DOS OLHOS...QUEM ME ENSINOU A SENTIR O INTERIOR DO PEITO, A PROFUNDIDADE PARA ALÉM DA CARNE...E ME DESPOJOU DA SOBREVIVÊNCIA DESTE MUNDO!... Teresa Silva

Monday, August 29, 2005

IN-FRONTEIRAS DO INFINITO

Antes,
eramos um murmurar de queixumes,
um sonho despido de humanidade,
dois corpos dormentes e trôpegos...

...numas mãos de fascínio apoderado,
caricias nas pontas dos dedos,
até aos olhos sublimados,
de emoções e choro...

...depois falávamos sem palavras,
e encolhiamos a vida no olhar...

Aguardávamos,
que algum silêncio,
nos viesse esculpir a alma...

E que o tempo lentamente,
desfalecesse nos olhos,
e nos cegasse de nostalgias...

...era como um residir permanente,
no eco da saudade...

Seguíamos,
pelas fronteiras do abismo,
e nossos corpos eram,
a ambição descolorida do tempo,
sonhos transparentes,
imagens cansadas de lúcidez,
no limiar da loucura...

Sorriamos,
inventávamos motivos,
mas nos lábios,
a amargura era encoberta,
no silêncio da boca...

Quantas,
e quantas vezes,
morriamos abraçados,
colados pela doçura da pele,
onde renasciamos,
a suspirar e a deslumbrar, num novo-mundo...

...de braços abertos,
acolhendo a infinita madrugada,
aprendendo a sermos,
outra vez,
os mesmos seres de outrora,
a desabrochar como orvalhos de luz,
como flores a dormitar a alvorada,
a absorver lentamente, uma nova-vida!...

Já sabiamos,
que o vácuo,
o vazio entre as almas,
nesse mundo paralelo ao nosso,
estaria de luz preenchido...

Somente aguardávamos,
que o silêncio,
da voz divina,
um anjo,
nos viesse buscar,
e nos libertasse destes corpos,
de carne e pele,
pela liberdade do espirito...

Seremos para sempre,
vagueantes na liberdade das brisas,
entre este mundo e o outro,
pois somos a mistura dos dois,
e dizemos...
-Até sempre!...

Teresa Silva

MEU-DIVINO-SER

Quando,
o meu olhar se perde,
e se mistura ao céu,
no horizonte turvo, acinzentado,
nuvens galopantes,
viajam-me nos olhos semi-imaginários,
e é quando te abraço,
na visão infinita e eterna,
da divina promessa telepática,
na caricia suave e doce,
dos nossos pensamentos,
que se entrelaçam lentamente,
numa brisa penetrante e vagarosa...

Na voz,
um sussurro breve,
nos lábios,
beijos de deuses-gaivotas,
e o arrepio morno, do leito calmo do rio,
que me vem beijar os pés descalços...

Esvoaça de repente,
a noite,
conselheira muda,
em almofadas de areia,
em choros abafados,
prantos de agonia,
e o prateado do rio morre nos sonhos...

...é quando te abraço,
na longínqua certeza,
que tu sem olhos, me cercas de luz,
no cintilante azul escuro, das minhas mágoas,
de nostalgias tristes e molhadas...

...meu querido ser,
é quando as tuas mãos invisíveis,
tocam aqui,
no fundo do meu peito,
na amargura doce da tua imagem,
de memórias sufocantes e desesperadas,
a embalar as ondas semi-mortas,
das águas agora paradas...

...quando o teu corpo sem carne,
por breves instantes,
toca o interior do meu,
num choque entre dois mundos, na loucura irreal,
do impossível retorno,
e o sangue que outrora foi teu,
invade a imensidão das sombras,
até á alma,
e por momentos apenas, pertence á eternidade!...

Teresa Silva

NOUTRO MUNDO

Labirintos de sons,
colam-se-me aos lábios,
vozes de um outro mundo, talvez,
silêncios interrompidos,
num arrepiante murmurar baixinho,
como lamentos,
queixumes de vento triste,
como mãos de brisas, que me acariciam lentamente...

Aqui sentada,
no deslumbre da noite,
sem sentir o corpo, e de alma arrebatada...
...choram-me os olhos,
que adormeço, na escuridão cintilante das estrelas,
ofuscados de prazer doentio,
viciados no sorriso do céu...

Agora somente,
desejo o silêncio tardio da tua boca,
e que nos lábios pousem apenas,
mil beijos,
mil desejos,
teus e meus,
e que as palavras mudas,
sejam intensas,
telepáticas, no comtemplar dos pensamentos...

Quando a morte chegar,
ao recanto mais profundo da carne,
até ao último suspiro,
quero ser tua uma última vez,
para que as nossas almas sejam,
apenas uma só,
e que extasiem entrelaçadas, na última viagem desta vida...

"Quando descobrires comigo,
que não somos deste tempo-mundo,
e nem de nenhum...
...e que não é este amor terreno, que é eterno,
mas apenas o interior de nós!..."

A alma com que te abraço,
não deriva dos braços,
mas sim da visão para além dos olhos,
onde somos cegos,
e apenas precisamos de sentir para ver...

...o mundo não acaba aqui...
...existe... persiste, para além da terra!...

Teresa Silva

RESSUSCITAR-RENASCER

O despertar é lento e dolorido,
a sensação,
de existir noutro mundo,
coabitar um corpo estranho...

O amargo da boca,
a descobrir nuns lábios,
uma estranha presença,
que emite voz...

...uma visão dispersa nublada,
um olhar de pranto,
amedrontado,
a semicerrar as pálpebras,
a aprender a dormir,
pois não quero acordar,
e o desespero é adormecer no pesadelo...

Quero tocar o lado sensível,
do meu novo ser,
e descubro umas mãos,
que apenas tocam,
uma carne semi-descoberta,
uma pele de imensas sensações,
sem senso de descrição...

Tenho no peito,
um ser de vida,
o sangue,
nas veias,
de incógnito existir...

Eu era o que sou agora,
mas não me reconheço,
o que tenho de louca,
exibe extrema lúcidez...

O vazio da mente,
preenche-me agora de agonia,
e o arco-irís de multi-cores,
em que sobrevoava,
a minha alma liberta, tão livre,
fica baço,
e encolhe-se á resistência...

Mil sentidos,
em dois mundos paralelos,
no meio,
a alma vagueia entorpecida,
rompe o espirito,
e sangra na carne...
...o infinito desconhecido,
na tortura disfarçada...

Hoje aprendi,
que os sussurros nascem,
e morrem nas brisas,
que se inventam nos ouvidos,
no grito sem garganta,
que as preces abrigam,
no tempo-espaço,
o encontro furtivo,
longínquo e fugaz,
entre-o-corpo-e-alma...

Agora a mágoa,
somente oculta,
anseios,
desejos de papel...

Sei que a vida terrena,
encobre a celestial!...

Teresa Silva

FRAGILIDADES

Sei,
quando o eco do vento,
é a voz do infinito,
por onde se abrigam as almas...

...e vem,
quando os braços da escuridão,
se entrelaçam,
e perante os olhos,
abraçam uma lua prateada, de gemidos nús...

...é no meu olhar que se compadece,
húmido e cansado,
a desabar nas agruras da vida...
...é nos anseios que o meu peito angustia,
completamente perdidos, e sem solução...

O abrigo dos sonhos,
é agora um vácuo sem fundo,
negro e sem luz de esperança,
por onde as pálpebras cerram no desassossego,
no despedaçar de mil carnes,
num corpo torpe, sem guarida...

Asas de anjos mendigos,
suplicam o sentir,
no silêncio interrompido,
esvoaçam num grito dilacerante,
onde somente a garganta é um abrigo,
de rumor profundo e tardio...

Desmembra-se-me o espirito,
quando a minha alma é uma janela,
e abre as vidraças ao mundo,
respira-se e suspira-se no ar das frestas,
nas aberturas do peito,
nas fissuras de carne e sangue,
nas veias de semi-loucura...

No meu ser,
o coração bate sem harmonia,
no silêncio ensurdecedor,
que memoriza a tua voz,
sou frágil,
de eterna descoberta,
quando os beijos dos lábios ausentes,
se desenham num sorriso sem palavras...

...enquanto o luar da vida,
me inspira insensatez...
...e nos rouba a imensidão dos seres!...

Teresa Silva